Anexo II.A – Práticas que suportam este livro
Este livro foi escrito tendo 4 práticas como base e um conjunto de outras práticas complementares:
Práticas base
- Teoria Integral e o Instituto Integral
- Teoria U e o Presencing Institute
- Possibility Management
- Desenvolvimento Regenerativo e o Regenesis Institute
Práticas complementares
- Permacultura
- The work that reconnects
- Macrobiotica
- Pedagogia Aberta e Comunidades de Aprendizagem
- \Process Work (e deep democracy)
- Delicate Activism
- ISTA e a Sexualidade
- Art-of-Hosting e a participação e colaboração
- Sociocracia 3.0
- Effectuation
- Game B
- Warm data
Juntas, estas práticas formam uma abordagem multidimensional para a transformação. Permitem-nos abordar os mundos interior e exterior, honrar as necessidades individuais, colectivas e co-criar sistemas próprios que se alinhem com o potencial humano e bem estar da Terra.
Na sua essência, estas práticas e teorias partilham uma visão de vida integral e regenerativa. Defendem um mundo onde as pessoas, as comunidades e os ecossistemas prosperem juntos, em alinhamento com os princípios naturais e a sabedoria coletiva, incluindo:
- Transformação pessoal com restauração ecológica;
- Crescimento individual com colaboração coletiva;
- Presença interior com ação exterior.
O mosaico de práticas apresentado contempla um conjunto de dimensões que são linhas orientadoras na direcção das Sociedades Regenerativas:
- Todo e a interdependência;
- Fazer parte dos ciclos e princípios naturais;
- Potencial Humano e sua Transformação;
- Colaboração e Inteligência Coletiva;
- Regeneração e Pensamento em Sistemas Vivos;
- Descentralização e Governação dialógica;
- Presença e Consciência Profunda;
- Aprendizagem por meio de interação e experimentação;
- Transcender e Integrar;
- Respeito pela Diversidade;
- Responsabilidade e Empoderamento.
Abaixo, segue uma breve introdução e indicação de recursos para aprofundar cada uma das práticas.
Práticas base
Teoria Integral e o Instituto Integral
A Teoria Integral é um meta-modelo, que podemos aplicar a qualquer área de estudo, que “compila os sistemas e modelos conhecidos de crescimento humano – desde os antigos xamãs e sábios até aos avanços atuais na ciência cognitiva – e destila os seus principais componentes em 5 fatores simples, fatores que são os elementos essenciais ou chaves para desbloquear e facilitar a evolução humana”: quadrantes, níveis de consciência, estados de consciência, linhas de desenvolvimento e tipos.
É um meta-modelo que nos ajuda a navegar no conhecimento que a humanidade produziu até ao presente. Dado um tema, podemos perguntar o que já sabemos sobre este tema (e.g. educação) usando a multidimensionalidade do mapa integral. Desta forma conseguimos identificar que tipo de ‘sistema operativo’ cria (ou contribui para) nas sociedades e dar-nos pistas sobre que memes podemos usar para experimentar novos mapas. É, também, um mapa que nos permite identificar quem co-criar os mundojogos e quem estamos a servir com estes e como podemos fazer para as propostas inclusivas e direcionadas, sem perder a noção do todo.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Eu comecei a estudar e a aplicar Teoria Integral a partir de 2008. Um amigo, Rui, trouxe-me um livro que a sua mãe recomendou para mim. Foi paixão à primeira leitura.
Instituto Integral: https://integrallife.com/
Livro: A Theory Of Everything Por Ken Wilber
Introdução à teoria: https://integrallife.com/what-is-integral-approach/
Treino: Actualize OS*: https://actualizeos.com/
(*) antiga versão chamava-se ‘SuperHuman OS’
Nota: Há treinos de coaching integral, facilitação integral, consultoria integral, entre outros.
Teoria U e o Presencing Institute
O Presencing Institute foi fundado em 2006, como uma plataforma para o avanço da pesquisa e da prática sobre ‘mudanças de sistemas baseadas na consciência’, com base na Teoria U e como um movimento de profissionais que aplicam essas ferramentas para provocar mudanças no mundo. Surgiu do Centro de Aprendizagem Organizacional do MIT, fundado por Peter Senge e colegas, em conjunto com um grupo de empresas globais, no início da década de 1990.
É uma teoria de inovação social baseada em consciência, quer ao nível individual, quer ao nível colectivo. Distingue a aprendizagem baseada no passado, no que já conhecemos, da aprendizagem ‘do futuro que quer emergir’, do que ainda não sabemos, do desconhecido. E convida-nos a fazer esta caminhada em equipa, co-criando, suportando o processo individual de cada pessoa e criando o espaço para a experimentação em equipa. É uma poderosa ferramenta para as linhas de trabalho da equipa e do todo, incluindo aqui o nível da organização (e.g. congregações no mapa dos 7 níveis de pertença) e das comunidades/ sociedades (e.g. multidões no mesmo mapa): os ecossistemas em co-criação. Permite que um grupo de pessoas, que podem estar em diferentes níveis de consciência, façam uma jornada de transformação em conjunto e possam sonhar, imaginar uma co-criação conjunta.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade reconciliador e regenerativo.
Comecei a estudar Teoria U a partir de 2011 e fiz o meu primeiro programa online em 2012, tendo feito os ULabs, Fórum e o Foundation Program. Recomendou-me o Vasco Gaspar, quando nos conhecemos e foi paixão no primeiro mergulho – a celebração do 1º aniversário do João Sem Medo foi feita com Teoria U, em 2012.
Presencing Institute: https://www.presencing.org/
Livro: Theory U: Leading from the Future as It Emerges Por Otto Scharmer
Treino: Ulab.1.x: https://www.u-school.org/offerings/absc-certification
Possibility Management
No website podemos ler “o Possibility Management é uma actualização ao software com que pensamos, para catalisar mudanças e expansão, em vários domínios, internos e externos. Funciona convertendo problemas em fertilizantes, portas e foguetes ou evitando poças de lama ao longo do teu caminho de evolução.
O Possibility Management constrói pontes entre a cultura moderna, que levou a humanidade aos seus limites e as próximas culturas, que são regenerativas.”
É uma prática que trabalha a linha dos indivíduos, casais/ parcerias (mapa dos 7 níveis de pertença) e as equipas. Empodera as pessoas para evoluírem e se transformarem em conjunto, em equipas, segurando espaço uns para os outros. Defende a iniciação dos seres humanos à idade adulta, através de processos iniciáticos que colocam o ponto de origem da autoridade no indivíduo, no seu centro (em vez de tribo, cultura, religião). E experimenta na direção das próximas culturas através da co-criação colaborativa entre adultos iniciados.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Iniciei os meus estudos e prática de Possibility Management em 2016. Foi o Claudian Dobos que me recomendou. Fiz o meu ETB com o Matteo Tangi e a Ramona na Quinta da Enxara, organizado pela Joana Cruz. Fiquei encantado com a proposta.
Possibility Management: https://possibilitymanagement.org/
Livro: Conscious Feelings: Living Life Closer To Your Own Truth Por Clinton Callahan
Treino: Expand the Box: https://expandthebox.mystrikingly.com/
Desenvolvimento Regenerativo e o Regenesis Institute
No website podemos ler que “o Desenvolvimento Regenerativo é o processo de harmonização da atividade das comunidades humanas com a evolução contínua da vida no nosso planeta – um processo que também aumenta e desenvolve o nosso próprio potencial como seres humanos.”
É uma prática que permite a criação, desenvolvimento e transformação de mundojogos em mundojogos regenerativos, profundamente enraizados nos seus Lugares, vibrantes, vivos, que nutrem a essência das pessoas, dos Lugares e da VIda. O desenhador transforma-se à medida que desenha e o que é desenhado transforma-se à medida que o desenhado desenha.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Iniciei o meu trabalho e estudo com o Desenvolvimento Regenerativo em 2021, com a recomendação de Gil Penha-Lopes.
Regenesis Institute: https://www.regenerat.es/
Treino: ‘The Regenerative Practitioner Series’: https://www.regenerat.es/trp/
Práticas complementares
Permacultura
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Hoje, está inserido na agroecologia e tem ligações a agricultura sintrópica e muitas outras práticas que se influenciam mutuamente.
Eu iniciei-me na Permacultura em 2013 num Curso de Introdução à Permacultura do Luís Amaral.
Website: https://www.permaculture.org
The work that reconnects
O Work That Reconnects propõe um processo experiencial em quatro fases:
- Gratidão – Relembrar a beleza e a abundância da vida como base para a resiliência.
- Honrar a Dor pelo Mundo – Enfrentar os sentimentos de tristeza, raiva ou medo como parte essencial da jornada.
- Mudar de Perspetiva (Seeing with New Eyes) – Reconhecer a nossa interdependência com a Terra e a teia da vida.
- Seguir em Frente (Going Forth) – Ativar o compromisso para ação com propósito e regeneração.
Reconhece que a crise ecológica e social é também uma crise de percepção e de desconexão do humano com o vivo (natureza). O The Work That Reconnects integra conhecimento dos sistemas antigos, como tradições indígenas, práticas de mindfulness e ecopsicologia, com descobertas da ciência da complexidade e da física quântica.
Entrei neste trabalho através do workshop facilitado pelo Claudian Dobos e Filipa Simões, em 2016, que fizeram o treino com a Joanna Macy e o ofereciam no João Sem Medo.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade regenerativo.
Website: https://workthatreconnects.org
Macrobiotica
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Eu iniciei-me na macrobiótica a partir de 2011 com o José Soutelinho e mais tarde com a Cristina David.
Website: https://institutomacrobiotico.com/
Pedagogia Aberta e Comunidades de Aprendizagem
A Pedagogia Aberta tem também como premissa a relação com o meio, o acesso a saberes locais, seus recursos e territórios. São considerados como espaços de aprendizagem os equipamentos públicos do entorno como os equipamentos culturais, socioambientais, desportivos e de segurança pública, entre outros, pois permitem incorporar os saberes das crianças aos saberes locais, favorecendo assim, outros modos de aprender. O nosso objetivo maior é que os alunos aprendam a aprender, sejam livres e abertos a gostar do conhecimento. Estrutura-se em torno da pergunta “O que quero aprender hoje?”. O trabalho de José Pacheco está assente no trabalho de muitos outros pedagogos do Sul, como Paulo Freire e Agostinho da Silva. O modelo Filandês tem muitas pontes com a Pedagogia Aberta. O movimento está a crescer em Portugal.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Eu iniciei-me na Aprendizagem Aberta em 2023 com uma formação realizada no âmbito da Vila – Escola Sustentável, pela Escola Aberta de São Paulo. Quando fiz o treino, parecia que estava a ‘aprender’ o Possibility Management para a aprendizagem das crianças.
Website: https://oplschool.com/
Process Work (e deep democracy)
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Iniciei-me no Process Work em 2019 através da Cristina Coutinho.
Website: https://www.processwork.edu/
Delicate Activism
É um ativismo que integra práticas de consciência e auto-observação, trabalhando a relação entre o mundo interior e as estruturas sociais. Reconhece que o verdadeiro impacto ocorre através de processos delicados, intuitivos e regenerativos, onde a presença, o silêncio e a atenção são ferramentas tão poderosas quanto a ação direta. A sua prática envolve metodologias como escuta profunda, facilitação de conversas emergentes, trabalho com dinâmicas inconscientes e ressonância com padrões da natureza.
O Delicate Activism inspira-se em tradições filosóficas e espirituais, na ecologia profunda e na ciência da complexidade, alinhando-se com uma visão regenerativa do mundo.
Entrei num curso organizado pelo Nuno da Silva na Quinta Ten Chi em 2018.
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade reconciliador e regenerativo.
Website: https://delicateactivism.org
ISTA e a Sexualidade
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Eu iniciei-me no ISTA em 2022 com o nível 1 realizado no Monte da Orada, tendo chegado ao ISTA pelo Diogo Ruivo e Joana Cruz.
Website: https://ista.life/
Art-of-Hosting e a participação e colaboração
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade adulto e alto e com um nível de pensamento em sustentabilidade sustentável, restaurativo e reconciliador.
Eu iniciei-me no Art-of-Hosting em 2018 através da Alexandra Rentroia.
Website: https://artofhosting.org/
Sociocracia 3.0
Iniciei-me na Sociocracia 3.0 na Biovilla, com o James Priest e a Liliana David, através do Diogo Cordeiro, em 2016.
Website: https://sociocracy30.org/
Effectuation
O modelo baseia-se em cinco princípios:
- Pássaro na mão (começar com o que se tem);
- Perda aceitável (limitar riscos);
- Co-criação (parcerias estratégicas);
- Limonada (transformar imprevistos em oportunidades);
- Piloto no avião (os empreendedores moldam o futuro).
É uma prática importante para a co-criação de mundojogos regenerativos.
Website: https://effectuation.org/
Game B
“O ‘Game A’ é tudo o que a humanidade tem feito nos últimos dez mil anos. Agora, estamos nos deparando com seus rígidos limites. A ordem existente está a desintegrar-se.
O ‘Game B’ é o que virá a seguir.”
O ‘Game B’ propõe um novo paradigma (e um movimento) social enraizado na colaboração, na sustentabilidade e no florescimento humano. Incorpora princípios extraídos da ciência de sistemas complexos, da teoria evolutiva e do pensamento socioecológico, alinhando-se bem com o espírito das abordagens regenerativas e integrais que tenho apresentado neste livro, a saber:
- Florescimento humano
- Transição da competição para a colaboração
- Anti-fragilidade e resiliência
- Alinhamento com o processo evolutivo
- Culturas responsáveis e regenerativas
- Descentralização e governança distribuída
- Evitar “dinâmicas de rivais” e promover “ganhando acontecendo”
É um mapa criado com um nível de pensamento em responsabilidade alto e radical e com um nível de pensamento em sustentabilidade restaurativo, reconciliador e regenerativo.
Website: https://www.gameb.wiki/
Warm data
Principais ideias do Warm Data:
- Relacional: explora como diferentes partes de um sistema se relacionam, como pessoas, cultura, ecologia, economia e tecnologia estão interligadas. É a “tecelagem” entre os elementos que gera sentido.
- Transdisciplinariedade: olhar além de um único contexto ou disciplina para entender sistemas complexos: e.g. compreender as alterações climáticas exige integrar Economia, Ecologia, Política, Cultura e outros domínios.
- Emergência: capta a qualidade emergente das interações — o que surge a partir das conexões e relações;
- Sistemas vivos: útil para trabalhar com sistemas vivos, que são dinâmicos, interdependentes e em constante mudança, como famílias, organizações ou ecossistemas;
- Flexibilidade: facilita a adaptação em contextos complexos porque não reduz os sistemas a partes isoladas, mas oferece uma visão integrada para navegar incertezas.
O Warm Data pode ser usado em processos de diálogo, educação, tomada de decisão e mudança organizacional, fornecendo insights para navegar a complexidade e fomentar resiliência.
Website: https://www.warmdata.life