Anexo II.C – Vivendo as Sociedades Regenerativas

Escrito em 2022 e actualizado para 2025.

Sigo uma alimentação 100% vegetal, biológica e o mais local que consiga porque, na minha forma de ver, é o comportamento que mais impacto tem nas alterações climáticas, na qualidade dos solos, na saúde humana, na crueldade para com a Vida e na economia local. Uso água da troneira filtrada com filtro gravítico pois tem o PH certo, está magnetizada, mineralizada e limpa (mais perto de nascente possível). Só coloco no corpo (cosméticos) o que posso comer. Tratei de limpar a minha casa de tudo o que é tóxico, em particular na cozinha. Faço um jejum semanal de 36 horas e jejum intermitente de 12 a 14 horas diário.

No meu vestuário utilizo as minhas peças até ao fim. Compro em segunda mão ou procuro marcas éticas. Promovo a reutilização de roupas entre os filhos, sobrinhos e família. Vendo em segunda mão ou faço doações que sejam utilizadas (e não vão parar a uma fogueira num qualquer local remoto de África).

Cuido dos meus resíduos, separando todos os elementos e tomando responsabilidade pelo destino final, faço compostagem. Os meus resíduos indiferenciados estão a menos de 2 litros por mês. O ponto de melhoria são as embalagens plásticas – estou com 25 litros mensais.

Procuro que os meus actos de consumo sejam conscientes e que os meus recursos sirvam para empoderar e financiar outros mundojogos e pessoas, que como eu, estão a co-criar a próxima cultura. O ponto a trabalhar é com os meus filhos, onde ainda não consigo aplicar estes princípios, bem como a escola, que é privada e ancorada na cultura patriarcal.

Sigo uma ética de ‘porque estive aqui, este sítio ficou melhor’. Se vou passear numa praia, floresta, jardim ou bairro, removo o plástico ou elementos perigosos; informo os órgãos respectivos do que não está bem (e.g. prédio, bairro) ou resolvo eu próprio – ou seja, tomo responsabilidade adulta, alta ou radical em relação aos aspectos de urbanidade e convivência social (mundokogo onde participo).

Não estou em redes sociais pois não quero patrocinar, com a minha utilização a segunda geração (a web 2.0) da internet e as suas disfunções (e.g. capitalismo de vigilância, empresas-estado). Quero apoiar os movimentos das tecnologias éticas e da web 3.0, peer-to-peer, como Signal.

Medito – sigo a tradição do Heartfulness -, pratico Yoga, Chi Chung e 5 ritmos (esporádico – gostava de tornar mais regular) e o meu caminho de evolução é feito utilizando o Possibility Management, nos LABS – estou a fazer o meu ritual de iniciação à vida adulta (1 ETB + 10 LABS).

Em termos familiares, a minha constelação familiar sou eu e os meus 3 filhos, que ficam comigo semana sim, semana não – a minha vontade seria de fazer parenting nesting, mas mãe dos meus filhos não estava disponível. Vivo na zona de Alfragide, em casa alugada, por ficar perto da escola das crianças (com forte redução da pegada ecológica) e me permitir flexibilidade, caso a escola mude, por exemplo. O meu irmão vive perto, em casa própria, com a sua família; a minha mãe vive sozinha em Setúbal, sendo um apoio muito importante para a minha célula familiar. As relações são boas, muito assentes no corpo intelectual e físico (e.g. refeições em comum). Na minha família de origem não se fala de corpo emocional e energético. Um caminho a percorrer nos próximos anos. Estou a ressignificar todas as datas importantes como aniversários, Natal, Páscoa, entre outros, não olhando para o que a cultura me propõem, mas antes, como me faz sentido e quero vivê-los. A relação com a minha família de origem e com a mãe dos filhos são os pontos de evolução.

Na entrada deste ano de 2022, vejo-me envolvido em alguns mundojogos que estão muito alinhados com a minha forma de ver o Mundo (e a próxima cultura) e que são baseados em responsabilidade radical (e.g. Possibility Management, Teoria U, Teoria Integral) e em Desenvolvimento Regenerativo.

Espaço de relação e trabalho (destino em acção) extraordinário com a Joana Cruz, onde levamos as distinções do Possibility Management às pessoas, às equipas, aos mundojogos para empoderar, transformar e evoluir. Estamos a co-criar a comunidade de PM em Portugal e a unir a comunidade – talvez evoluir para uma Comunidade de Prática (CoP).

Espaço de relação extraordinário onde desenhamos experiências que desafiam as nossas caixas e exploramos o que significa uma relação entre duas pessoas, saindo dos constructos que a nossa cultura e educação transmitem. O que significa para mim estar em relação? Qual a relação que melhor me serve? Como transcender as dinâmicas de gênero? É um espaço de experimentação e crescimento, onde colocamos em acção as distinções do Possibility Management – ambos estamos a seguir este caminho.

Faço parte de uma equipa, Pinha do Agora, que está a co-criar uma ecoaldeia para 5 a 10 famílias, baseada nas distinções do Possibility Management e do Desenvolvimento Regenerativo e numa educação alternativa para as nossas crianças. Somos 5, Gil Penha-Lopes, Joana Cruz, Marco de Abreu, Matteo Tangi e Patrícia Bastos. Todos temos ETB e LAB. Dois de nós fizeram o curso de Desenvolvimento Regenerativo da regenerat.es, eu incluído. Estou a co-criar o local onde vou viver e trabalhar; a minha família de morte.

Faço parte de uma outra equipa, a do mundojogo para uma fundação, Terra Agora. Somos 4: Claudian Dobos, Ivan Sellers, Filipa Simões, Marco de Abreu. Temos todos ETB, 3 de nós LABS. 3 de nós fizeram o curso do Desenvolvimento Regenerativo da regenerat.es, eu incluído. Este mundojogo visa acabar com a ‘escravatura’ da Terra pelo Homem (ou a ilusão dela) – Como pode um ser vivo, humano ou não, achar que pode ser dono da terra? De ‘donos’ para ‘guardiões’, i.e., participantes conscientes da vida na Terra.

Faço parte da equipa que sonha e dá vida ao Innovations for the Future. Somos uma rede, uma comunidade, um movimento de mundojogos e construtores de mundojogos que sonham com uma próxima cultura. Nesta equipa, alguns de nós têm ETB e LABS, outros Desenvolvimento Regenerativo, muitos Teoria U, alguns Teoria Integral e mais ferramentas/ métodos que podemos pôr ao serviço desta comunidade. Um dos desafios deste mundojogo são os fluxos monetários, o dinheiro. É também um fractal na dimensão pessoal da minha vida. Como fazer esta energia funcionar na próxima cultura?

Patrocínio com o meu apoio e suporte em ‘extented teams’, ou como conselheiro, mentor, mundojogos como a Universidade dos Valores, Quinta Ten Chi, Editora Bambual, Eternal Forest, Legacy, Naturalmente, Deep-U, Festival Umundu, Terra Livre, entre outros.

Acredito e vivo que a próxima cultura é regenerativa, integral, relacional, em equipa, co-criada, baseada em awareness individual e colectiva.

Oriento a minha ação em torno das seguintes linhas orientadoras e indico como as estou a viver à entrada de 2025:

  1. Minha evolução e cura (e.g. Possibility Management);
  2. Co-criar a família onde vou morrer (ecovilla, o local onde vivo e trabalho) – e.g. Centro Ecológico Alcanforado;
  3. Legado para os meus filhos – e.g. Terra Agora, Centro Ecológico Alcanforado;
  4. Servir, suportar o caminho dos outros, como tantos fizeram comigo; servir a evolução e a transformação – e.g. Centro Ecológico Alcanforado;
  5. Co-criar uma parceria evolucionária, uma relação extraordinária e arquetípica.

É caso para dizer grandes passos para mim, pequenos passos para todos nós. Peço-te para contares a tua história de como estás a viver a próxima cultura na tua vida à entrada de 2025, o que está a funcionar e o que não está a funcionar. Aceitas o desafio?