Anexo III.C – Mapas para uma Sociedade Regenerativa
As Sociedades Regenerativas são baseadas em consciência (awareness) e co-criadas em equipas, alinhadas com a Natureza, com Gaia. Os mapas que apresentamos aqui em resumo, são alguns dos mapas que estão apresentados de forma mais desenvolvida no Tomo II.
Para o alinhamento com Gaia o mapa do Desenvolvimento Regenerativo do Regenesis Institute for Regenerative Practice que vem sendo desenvolvido há mais de duas décadas é um mapa a ter em conta e que se articula e interliga com os diferentes mapas que apresentamos aqui.
Para a co-criação consciente, vamos começar com o modelo que Rich (co-fundador da enspiral) está a investigar desde 2018 e que sistematizou em Microsolidarity.CC, um dos mais interessantes mapas de criação de inovação, com vários níveis de atenção/ foco: é um fractal de pertença (belonging) e relaciona-se directamente com ‘ecossistemass em co-criação’ da Teoria U:
- SELF (individual) – nível individual; o indivíduo na sua perspectiva integral (Teoria Integral);
- PARTNERSHIP (parcerias) – duplas, casal, que está na origem de muitas ideias/ mundojogos no contexto do Innovations for the Future;
- CREW (equipas) – formadas por indivíduos e parcerias que co-criam e desenvolvem os projectos;
- CONGREGATION (congregações) – onde as equipas co-desenvolvem com outras equipas, indivíduos e parcerias (e.g, uma organização pode ser vista como uma congregação);
- CROWD (multidão) – é formada por várias congregações, com equipas que se juntam em diferentes congregações;
- VOID/ UNIVERSE (desconhecido) – o que não conhecemos; o desconhecido; a ‘source’ (fonte) como chama a Teoria U. De onde o ‘Self’ emerge.
O Possibility Management, originado por Clinton há quase 3 décadas, é um gameworld, que permite profunda transformação de indivíduos e equipas, actualizando o ‘thoughtware’ humano, construindo pontes entre a cultura moderna – que levou a humanidade aos seus limites e as culturas que se seguem, que são sustentáveis e sãs. É um mundojogo, desenhado nativamente usando as equipas (“se não é em equipa, não é Possibility Management”). Ou seja, por desenho, trabalha o nível do Indivíduo, parcerias e equipas, criando o contexto para congregações e multidões saudáveis e vibrantes. Reconhece o vazio/ universo/ caos/ desconhecido. O trabalho é em 3 mundos, o de baixo (sombra), o de cima (valores, propósitos) e do meio (e.g. pessoas, tempo, dinheiro), bem como a cura dos padrões emocionais e iniciações à idade adulta.
A Teoria U, investigada (investigação-acção) por Otto Scharmer, professor e inovador social no MIT e fundador do Presencing Institute, também começa no indivíduo, estimula a criação de equipas e o desenvolvimento de congregações e multidões; é para mim um mundojogo que trabalha os níveis equipa, congregações e multidões. Também reconhece o vazio, a fonte.
O Vasco Gaspar tem vindo a usar a Teoria U para trabalhar o nível do indivíduo/ Self com o Deep-U – que usa o framework integral para juntar mundojogos e a construir um novo mundojogo para trabalhar o indivíduo. As parcerias não são reconhecidas no mapa da Teoria U.
Com as equipas constituídas e a desenvolverem-se, a Sociocracia 3.0, um mundojogo que vem sendo co-criado pelo James et all, oferece padrões que podem ser aplicados pelas equipas e por congregações para a governação e tomada de decisão. Pode ser adoptado pelas equipas de forma flexível e nos seus ritmos.
O Art-of-Hosting, comunidade com mais de duas décadas no mundo da participação, em si uma comunidade que promove a interligação de mundojogos (uma perspectiva integral), constitui um mundojogo para, em combinação com a Teoria U, suportar e desenvolver as congregações e as multidões.
O Possibility Management e a Teoria U têm perspectivas integrais, isto é, podem ser vistas à luz da Teoria Integral, apresentando perspectivas para os 5 dimensões da Teoria Integral (níveis e estados de consciência, linhas de desenvolvimento, quadrantes e tipos).
O Dragon Dreaming, mundojogo que Croft tem vindo a desenvolver há mais de 3 décadas, permite a criação de equipas baseadas em sonhos/ visões comuns, de forma participativa e colaborativa. Pode ser complementada com a Sociocracia 3.0 e combina bem com o Possibility Management, Teoria U e Art-Of-Hosting. Trabalha equipas e congregações.
A Teoria U e o Art-of-Hosting são mundojogos de emergência e suportam grandes encontros/eventos de co-criação. O Possibility Management, o Dragon Dreaming e a Sociocracia 3.0 são mundojogos de desenvolvimento, de continuidade, de suporte.
A Teoria Integral é um mundojogo interpretativo, uma meta-teoria que ajuda na interpretação e no desenho de mundojogos.
Todas estes mundojogos são baseados em consciência, quer ao nível individual (e.g. meditação, mindfulness), quer ao nível do colectivo (e.g. diálogo, council, círculo) e co-criadas (e.g. participação, colaborativas)
Uma outra ponte é com as organizações ‘teal’ (ou equipas e congregações ‘teal’) – esta teoria organizacional fundamenta-se na Teoria Integral; trabalha ao nível das equipas e congregações. A Organização é vista como um ecossistema de equipas. Veja-se o exemplo da Buurtzorg ou da Ensipral.
RESUMO
- Teoria Integral (meta-mundojogo – interpretar, desenhar)
- Teoria U (vazio, equipas, congregações, multidão – emergência, encontros)
- Possibility Management (vazio, indivíduo, parcerias, congregações – desenvolvimento)
- Regenesis Institute for Regenerative Practice (desenvolvimento de mundojogos gaia, vazio, indivíduo, equipas, congregações e multidões)
- Mirosolidarity (fractal de pertença)
- Art-of-Hosting (congregação, multidões – emergência, gatherings)
- Dragon Dreaming (equipas, congregações – desenvolvimento)
- Sociocracia 3.0 (equipas e congregações – desenvolvimento)